Save me from the nothing i've become

Save me from the nothing i've become

hey-tomorrow-is-another-chance: Quando quiser ajuda é so me chamar na ask

alguém que se importa por aqui? rs
obrigada, viu ?

Há 1 semana with 0 notas

"Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? O problema é que tenho de continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar este computador, se eu quiser dar descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles me causem horror. E horror é uma gentileza."
Charles Bukowski. (via inadmitido)

Há 2 semanas with 4 765 notas

antiga b-r-e-j-o-s: Nós, números engavetados

Nós, números engavetados
Sou mais um número no censo do ano passado. Ninguém se importa com o que sou dentro de mim, apenas com o que aparento ser. Eles só querem saber a cor do meu cabelo, a minha sexualidade, a minha religião e quantos filhos eu tenho.
Superficialidade quantitativa, eles querem me enquadrar num modelo de estereótipo que eles criaram. Dessa forma a sociedade fica mais organizada, são castas, raças, classes sociais, opção da sexualidade, protestantes e católicos. Analisam a minha estrutura física e esquecem da minha mental. Agora entendo o porquê das pessoas se importarem tanto com a aparência, ninguém dá valor à personalidade.
Todo mundo esquece do próprio mundo dentro de cada um. A infinidade de pensamentos, a diversidade de conceitos, a beleza da ideologia autônoma. Tudo foi acantoado, eles só querem números e mais números. São números que nada querem dizer. Uma generalização desnecessária, uma forma de entendimento que, posteriormente, não vamos entender. Cada um é cada um, vamos além dessas definições físicas, não adianta igualar.
Colocaram-nos nas gavetas distintas, que separam a nossa cor e nossa nacionalidade. Somos muito mais que uma taxa de melanina e podemos fazer parte de um lugar que não exista no mapa geográfico. Inventamos nosso próprio lugar, nosso estado.
Morgana Rocha

Há 3 semanas with 37 notas

"Estou sempre precisando de consolo, costumo me sentir fraca e com frequência deixo de atender às minhas expectativas. Sei disso, e todos os dias resolvo ser melhor."
O Diário de Anne Frank.  (via filho-do-rei)

Há 3 semanas with 6 883 notas

"A impressão que tenho é que nunca vai passar. Que a cicatriz não fecha. Que só de esbarrar, sangra."
Caio Fernando Abreu. (via s-ucking)

Há 3 semanas with 12 624 notas

Ignorância:

minha-estante:

tóxica substância 
injetada na veia 
mostra que a vida é feia 
mas não há como mudar
assim o ignorante senta na cadeia
do próprio ignorar 
e fica, conformado,
quietado e adestrado,
deixando a vida passar.

R, quase poeta.

Há 3 semanas with 10 notas

"Dá até um medinho de pular a barreira do “gostar” para “algo a mais”, e acabar com cara no chão."
Thiara Macedo (sdpm)

Há 3 semanas with 4 413 notas

"A vida é um pêndulo entre o foda-se e o me fodo."
Tati Bernardi.   (via bkrheart)

Há 3 semanas with 2 601 notas

Desalinho:

Eu ouço o som do pranto que ainda não escorreu dos olhos. Eu leio os dramas dos jornais da próxima semana. Observo os cacos do copo que ainda não se espatifou no piso. Eu sinto o frio do inverno em pleno verão. Eu espero o tempo todo pela pedra do caminho, o tropeço, ponto final. Enxergo a tempestade que vem depois do amanhecer ensolarado. É no silêncio que existe na vírgula que mora meu estado. Já espero a morte do personagem assim que a trama se inicia. Então não se assuste com as luzes apagadas que reparas pela janela aberta quando já é noite. Não sinta a culpa que aperta tua coluna e o impede de encontrar posição para dormir. Expulsa a insônia dos teus olhos e ignore se ela for morar nos meus. Já é rotineiro o olhar vidrado no meio da noite, a programação da madrugada já está decorada à semanas. Me familiarizo com a espera que dura até o nascer do sol, quando mais um dia vazio se inicia e posso fingir que vivo. A noite é afobada demais, me inquietam os boêmios dissertando suas verdades trôpegas na calçada fria. Me dói a saudade que já não me permito pensar. Divago demais, tu não entende. Divago demais e tu não me entende. Então deixa eu me perder na imensidão do céu quando as estrelas aparecem. Deixa eu me afogar no silêncio estagnado do último suspiro.
Sou uma tragédia anunciada e ninguém sobreviverá ao acidente.
G.

Há 3 semanas with 174 notas

"De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tornei-me, assim, homem de dois corações. A operação sigilosa foi ignorada pelos repórteres. Eu mesmo fabriquei meu coração novo, nos fundos da casa onde moro. Nenhum vizinho desconfiou, mesmo porque sabem que costumo fechar-me em casa, semanas inteiras, modelando bonecos de barro ou de massa, que depois ofereço às crianças. Oferecia. Meus bonecos não têm arte, representam o que eu quero. Fiz um Einstein que acharam parecido com Lampião. Para mim, era Einstein. Os garotos riam, tentando adivinhar que tipos eu interpretara. Carlito! Não era. Às vezes, não sei por quê, admitia fosse Carlito. Nunca dei importância a leis de semelhança e verossimilhança, que sufocam toda espécie de criação.
Mas, como disse, fiz meu coração sem ninguém saber. E à noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo horrorizar ninguém — abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também prefiro não explicar. Possuo extrema habilidade manual, aguçada à noite, e sei o que geralmente se sabe dos órgãos do corpo e suas funções e reações, depois que ficou na moda tratar dessas coisas em jornais e revistas. Além disso, minha capacidade de resistir à dor física sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo, acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui dormir.
Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão permanente no Canal de Suez, golpes vitoriosos ou malogrados na América Latina, bem, não senti absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita de leveza. No caminho, vi um corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o meu dia. Fitei-o como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudança. E passei um dia normal. Trabalho, refeições, sono, igualmente normais, coisa que não acontecia há anos.
Meu coração fora planejado para evitar padecimento moral, e desempenhava bem a função. Assisti impassível a cenas que antes me fariam explodir em lágrimas ou protestos. Felicitei-me pela excelência. Mas aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam, passei a sentir reflexos de moléstias inexistentes. Simples corte no dedo, sem inflamação, afligia-me como chaga aberta. Dor de cabeça que passa com um comprimido ficava durante semanas. Meu corpo tornou-se frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Consultei especialistas. Fiz checkup, não se descobriu qualquer lesão ou distúrbio funcional. Eram apenas imotivadas, gratuitas. Meu coração nº 2 passava pela radiografia sem ser percebido. Irredutível à dor moral, era invisível a aparelhos de precisão. Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais que a vida se tornou insuportável. A dor aparecia especialmente em horas impróprias. Em reuniões sociais. Em concertos. No escritório, ao tratar de negócios.Então fazia caretas, emitia gemidos surdos, assumindo aspecto feroz. Assustavam-se, queriam chamar ambulância, eu recusava. Tinha medo de que descobrissem o coração fabricado.
Outra coisa: as crianças começaram a achar estranhos meus bonecos, não queriam aceitá-los. Sempre gostei de crianças. E elas me repeliam. Esmerei-me na feitura de peças que pudessem cativá-las, mas em vão.
Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o aspecto de chão ressecado. Tive pena dele. Surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de sua angústia e trazendo-a comigo para casa.
Agora à noite, decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena fissura no isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos, liguei o antigo e fechei o cavername. Talvez pela falta de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer? E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim."
Carlos Drummond de Andrade  (via dissecar)

Há 3 semanas with 1 067 notas

"O mundo me engoliu
Asfixiou minha poesia
Me fez exato e prático
Fez-me um Imediato
O mundo me submergiu
Precisou meus sentimentos
Me aprontou para razão
Fez-me quantificado
O mundo me faliu
Metodificou minhas emoções
Me inseriu em seus sistemas
Fez-me um mecanismo"

Há 3 semanas with 87 notas

"Estou sendo obrigado a dormir, só dormir. Já não me vejo bem acordado: não sorrio como antes, não difiro as causas entre sonhos e realidades; sempre tenho alucinações, pois as duas dimensões estão sendo dolorosas. Já não consigo pensar, e se tento, acabo ficando enjoado, permitindo-me chegar ao vômito. Ando enjoado de gente, de toques, de sussurros, de normalidade. Eu quero ser diferente, até porque sempre fui diferente, mas não quero alucinações. Eu sou “normal” perante a sociedade que realmente não me conhece, mas ninguém realmente conhece a pessoa que está ao seu lado. E pensando melhor, não existe normalidade perante a sociedade, pois um cidadão com problemas mentais, ou embriagado, ou drogado, acaba sendo mais cético que vinte humanos orgulhosos e sóbrios querendo defender tal. Realmente estamos mudando, mas pareando para analisar: para pior. Ando cada vez mais legalizado entre o quarto, banheiro, cozinha e sala. Meus caminhos mais percorridos estão sendo estes, e acredite, a cada dia fica mais difícil de caminhar."
Rapazelho. (via rapazelho)

Há 4 semanas with 91 notas

"Não houve assobios nem gestos obscenos. As cicatrizes e costuras do meu rosto às vezes serviam para alguma coisa."
BUKOWSKI, Charles. Mulheres.  (via fruir)

Há 4 semanas with 93 notas